O calor que decide por nós
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Capítulo 1

O calor que decide por nós

Os desafios, encontros e histórias de viver em Teresina.
24 de agosto de 2026
Tem dias em Teresina em que a gente não decide o que vai fazer. O calor decide por nós. Você acorda com um compromisso marcado para as dez da manhã e começa a fazer contas: “Se eu sair agora, chego antes do sol apertar.” Só que o sol já está apertando. Escolher a roupa também vira uma estratégia. Nada muito quente. Nada que grude. E, se possível, alguma coisa que sobreviva ao caminho entre a porta de casa e o carro sem transformar você em uma pessoa completamente diferente. A bolsa precisa ter água. O carro precisa estar com o ar-condicionado funcionando. E qualquer lugar com sombra passa a ser automaticamente considerado um bom lugar. Em Teresina, a previsão do tempo às vezes parece menos importante do que a pergunta: “Mas precisa mesmo sair de casa hoje?” E é curioso como o calor começa a participar das nossas decisões. A gente escolhe o horário do almoço pensando no sol. Escolhe onde encontrar os amigos pensando se tem ar-condicionado. Adia uma caminhada. Muda o caminho. Procura uma árvore. E aprende a reconhecer, de longe, aquele lugar que tem uma sombra generosa. Mas existe uma coisa engraçada nisso tudo. A gente reclama. Reclama muito. Diz que não aguenta mais, que hoje está impossível, que deveria existir um feriado municipal só para ficar em casa. E mesmo assim, quando chega o fim da tarde, a cidade começa a ganhar outro ritmo. As pessoas aparecem. As calçadas ficam movimentadas. Os encontros começam. E a gente sai de casa outra vez. Talvez morar em Teresina seja também aprender essa negociação diária com o calor. Ele nos impõe limites, muda nossos horários e interfere até nos nossos planos. Mas a vida continua acontecendo. Só que, por aqui, antes de perguntar “o que vamos fazer hoje?”, talvez a pergunta mais importante seja: “Que horas o sol deixa?” E essa é só mais uma história de quem vive Teresina. Amanhã tem mais.
Tisa café